Fumar durante a gravidez põe em risco a saúde da mãe e do filho

Saiba quais são as consequências que acometem crianças durante os nove meses e na fase da amamentação

Com a proximidade do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31/05, discussões sobre um vício que ameaça milhares de pessoas e mata milhões todos os anos vêm à tona: fumar. Os malefícios do cigarro também atingem mulheres grávidas. Em muitos casos, elas não param de fumar durante a gravidez. Isso pode acarretar uma série de problemas para saúde – delas e dos bebês.


Uma pesquisa realizada por uma revista científica inglesa apontou que, em todo mundo, 87% das mulheres deixam o cigarro de lado quando engravidam, mas voltam a fumar seis meses após a gestação.

Para a ginecologista e Coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, Albertina Duarte Takiuti, a dificuldade de se livrar do cigarro se deve, muitas vezes, à falta de incentivo de políticas antifumo. “Durante o pré-natal, alguns profissionais esquecem de avisar as gestantes sobre a gravidade do hábito de fumar e deixam de apresentar recursos disponíveis para abandoná-lo”, destaca a Dra. Albertina.

A Dra. Albertina confirma que o tabagismo é completamente contraindicado durante a gravidez, pois aumenta a chance de partos prematuros. Nos casos em que gestantes fumam, os bebês podem nascer abaixo do peso e pode ocorrer descolamento de placenta; como consequência, o óbito fetal pode se tornar inevitável”, completa Takiuti.

Diferentemente do que algumas pessoas acreditam, diminuir a quantidade diária de cigarros não é uma alternativa porque, mesmo assim, o cigarro faz o mesmo mal.
E quando a mulher é fumante e descobre uma gravidez que não estava nos seus planos?

“Ela deve parar imediatamente. Não existe número mínimo de cigarros que podem ser consumidos ao longo dos nove meses. O ideal é zero”, reforça a ginecologista.
Aquelas que estão programando ter um bebê e são adeptas ao vício, devem abandoná-lo – pelo menos, de dois a três meses antes de engravidar. Mas é claro que, o quanto antes ele for eliminado, melhor!

Fertilidade

Durante a gravidez, mãe e filho compartilham a circulação sanguínea, portanto, a criança fica exposta à nicotina e a todas as outras substâncias que o cigarro tem. Essas substâncias, em contato com o feto, têm a capacidade de diminuir a força das artérias responsáveis por levar nutrientes e oxigênio ao bebê, retardando, assim, seu crescimento e favorecendo malformações congênitas, como lábio leporino e complicações digestivas e respiratórias.

Amamentação

Muitas mulheres acreditam que depois que dão à luz podem voltar a fumar, mas a Dra. Albertina não aconselha. Os malefícios podem se estender para a lactação. Afinal, as substâncias tóxicas do cigarro são transmitidas para o bebê por meio do leite materno. Mães que não amamentam também devem ficar atentas. A fumaça é prejudicial para os baixinhos e aumenta a incidência de problemas respiratórios.

Outra questão não tão menos importante e que vale lembrar é que filhos de pais tabagistas também apresentam mais chances de desenvolver dependência no futuro. “Isso porque os receptores cerebrais podem ser modificados e a criança pode ter maior predisposição ao vício”, explica a ginecologista Albertina Duarte Takiuti.