Menino de 13 anos morre por coronavírus no Reino Unido e acende alerta

Um menino de 13 anos que recebeu diagnóstico positivo para covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus, morreu, informou um hospital em Londres.

Ismail Mohamed Abdulwahab, de Brixton, no sul de Londres, faleceu no King’s College Hospital na manhã de segunda-feira, 30 de março. 

Ele seria a pessoa mais jovem a morrer por coronavírus no Reino Unido.

Um porta-voz do hospital disse que o corpo do menino foi encaminhado para a necropsia, mas não revelou mais detalhes. 

Quase 2 mil pessoas já morreram em decorrência de covid-19 no Reino Unido.

Só na segunda-feira, foram registradas 381 mortes por coronavírus no país, o maior número de mortes em um dia até agora.

A família de Ismail disse que estava “mais do que arrasada” por sua morte, em comunicado divulgado por um amigo da família.

Eles disseram que ele não tinha doenças pré-existentes e que recebeu o diagnóstico positivo para covid-19 na última sexta-feira (27 de março), um dia depois de ser internado.

É raro que adolescentes desenvolvam os sintomas mais graves do coronavírus.

“Apenas 0,3% dos que apresentam sintomas necessitam de cuidados hospitalares e 0,006% morrem — em outras palavras, apenas duas em cada 30 mil infecções nessa faixa etária resultam em óbito”, explica Nick Triggle, repórter de saúde da BBC.

“Mas isso pode acontecer, como foi o caso de Ismail.”

A família de Ismail disse que ele foi internado no hospital no sul de Londres depois de mostrar sintomas e dificuldades de respirar.

“Ele foi acoplado a um respirador e depois colocado em coma induzido, mas infelizmente morreu ontem [segunda-feira] de manhã”, disseram eles.

“Pelo que sabemos, ele não tinha doenças pré-existentes. Estamos mais do que arrasados.”

Mark Stephenson, diretor da faculdade Madinah College, no sudoeste de Londres, onde a irmã de Ismail trabalha como professora, organizou uma campanha virtual para arrecadar dinheiro para os custos do funeral.

Um comunicado na página dizia que Ismail morreu “sem nenhum familiar por perto devido à natureza altamente infecciosa da covid-19”.

Nathalie MacDermott, médica da Universidade King’s College de Londres, disse que a morte de Ismail “destaca a importância de todos nós tomarmos as precauções possíveis para reduzir a propagação da infecção no Reino Unido e no mundo”.

Ela acrescentou: “É importante que um médico legista avalie se um exame post-mortem é necessário para entender melhor a causa exata da morte”.

“Embora se saiba que doenças pré-existentes crônicas aumentam o risco de morte após a infecção por covid-19, ouvimos falar de casos de indivíduos mais jovens sem problemas médicos conhecidos sucumbindo à doença”, explicou.

“É essencial que realizemos pesquisas para determinar por que uma proporção de mortes ocorre fora dos grupos que morrem devido à infecção, pois isso pode indicar uma suscetibilidade genética subjacente de como o sistema imunológico interage com o vírus”, acrescentou.

Vanessa Sancho-Shimizu, pesquisadora de doenças infecciosas e virologia da universidade Imperial College de Londres, disse que o caso de Ismail mostra que “as estatísticas não significam nada quando afetam as pessoas próximas a você e que não há espaço para complacência nesta pandemia”.

Simon Clarke, professor associado de microbiologia celular da Universidade de Reading, disse: “Qualquer morte prematura é uma notícia trágica, mas a morte de qualquer criança é particularmente triste — e a primeira morte de uma criança no Reino Unido após um teste positivo para Covid-19 é muito significativa”.

“A lição de países como a China é que, embora os idosos tenham muito mais chances de morrer por coronavírus, os jovens certamente não estão imunes a isso.”

“As crianças podem pegar o vírus e, embora tenham maior probabilidade de apresentar sintomas leves, ainda podem transmiti-lo a outras pessoas mais vulneráveis. Em casos raros, elas também podem ficar gravemente doentes ou morrer.”

“Este é um lembrete de que devemos levar a sério a recomendação das autoridades de saúde para ficar em casa, lavar as mãos e ficar longe de todas as outras pessoas.”

“Ou seja, com essas ações, podemos salvar a vida de nossos pais ou avós. E este caso ainda nos faz lembrar que ficar em casa também pode salvar a vida de nossos filhos e netos.”

Fonte: BBC