Coronavirus e os salões de beleza no Reino Unido

Aguardando orientações

Alison Badrick é uma cabeleireira autônoma em Buckinghamshire, na Inglaterra, e ainda aguarda orientação do governo do Reino Unido sobre como será sua volta ao trabalho. Ela teme que ainda possa demorar algum tempo.

Ela diz que a maioria das regras parecem sensatas, mas são difíceis de seguir, principalmente a que determina cortar o cabelo de um cliente enquanto usa uma máscara no rosto. 

O elástico da máscara atrapalha o corte de camadas e do cabelo próximo às orelhas, diz ela. 

“A menos que produzam uma máscara que grude no rosto, não sei como isso vai funcionar”, afirma. 

Na Alemanha, o chefe da Associação de Cabeleireiros disse ao programa de TV Tagesschau que os clientes poderiam soltar brevemente a máscara de seus ouvidos e segurá-la sobre a boca.

As regras de distanciamento social significam que os salões no Reino Unido não podem atender tantos clientes por hora — o grupo de cabeleireiros de Londres Blue Tit estima que suas lojas estarão trabalhando com 50% de sua capacidade normal. 

A empresa planeja deixar uma folga na agenda de 15 minutos extras após cada cliente para permitir uma limpeza completa do salão e espera aumentar o horário de funcionamento e dividir a equipe em dois turnos.

Quaisquer que sejam as novas medidas introduzidas pelo governo britânico quando chegar a hora, parece evidente que os custos vão aumentar. 

“Teremos mais custos com tempos de agendamento mais longos, além do custo de equipamentos de proteção individual (EPI), mas a segurança de nossos clientes e funcionários é a prioridade aqui”, explica a Blue Tit.

‘A vaidade supera o medo’

Como estão os cabelos da maioria das pessoas no momento?

“Muito engraçados. Muitas pessoas cortaram seus próprios cabelos. Algumas pintaram elas mesmas. Estamos trabalhando principalmente em ‘consertar’ penteados agora”, diz, rindo, Reno Harms, co-proprietário do salão de cabeleireiro Harms, no arborizado bairro de Prenzlauer Berg, em Berlim.

Durante o fechamento de seis semanas, seus clientes regulares compraram cupons para serem resgatados mais tarde – algo que muitos berlinenses estão fazendo para ajudar suas lojas, cafés e restaurantes locais favoritos. Isso representou cerca de 50% da receita usual de Reno e ajudou os negócios a sobreviverem. 

Mas isso também significa que Reno está trabalhando gratuitamente agora, pois as pessoas estão resgatando os vale-compras. As novas regras significam que ele pode receber apenas metade do número habitual de clientes. Tudo precisa ser desinfetado entre os clientes e existem regras estritas de distanciamento social.

Certamente não há falta de negócios. Em muitos salões de Berlim, pode ser difícil conseguir um horário. Nas semanas que antecederam o bloqueio em março, cerca de metade de seus clientes havia cancelado por medo de serem infectados pelo coronavírus. Reno tem a impressão de que as pessoas continuam ansiosas. Mas elas ainda estão pedindo para marcar um horário. “A vaidade é definitivamente maior que o medo”, brinca.

Fonte: BBC