Coronavirus e os protestos contra isolamento

Em meio a imposições de distanciamento social, milhares de pessoas saíram às ruas em várias cidades europeias neste sábado (16/05) para protestar contra as medidas adotadas pelas autoridades para conter o avanço da pandemia de coronavírus, levando inclusive a prisões em alguns países.

Na Alemanha, as manifestações contra medidas de contenção, planos de vacina e suposta vigilância estatal começaram em meados de abril, mas de lá para cá têm contado com um número crescente de participantes e preocupado as autoridades.

Neste sábado, manifestantes de grupos de extrema direita, antiquarentena, antivacina e teóricos da conspiração se reuniram novamente em algumas cidades: foram mais de 5 mil participantes em Stuttgart, ao menos 1.500 em Frankfurt e cerca de 1.000 em Munique.

“Coronavírus é falso”, dizia um cartaz erguido em Stuttgart, no sudoeste alemão. “Isolamento, máscaras, rastreamento, vacina – isso é impossível”, afirmava outro. Em mais um placar, lia-se: “Obrigação de usar máscara é a escravidão moderna.”

A prefeitura havia autorizado um ato de até 5 mil pessoas numa praça da cidade, mas muitas mais se juntaram ao protesto, levando os policiais a dispersarem parte delas para as ruas adjacentes, segundo informou a própria polícia no Twitter. Manifestantes que violaram a obrigação do uso de máscaras durante o ato foram punidos com multa de 300 euros.

Em Munique, autoridades haviam permitido que o protesto na Theresienwiese, parque onde ocorre a Oktoberfest, reunisse até mil pessoas. Segundo a polícia, contudo, os presentes não respeitaram a distância mínima de 1,5 metro, e os policiais precisaram intervir.

Também registraram atos cidades como Berlim, Bremen, Nuremberg, Leipzig e Dortmund, mas com participação reduzida. Na capital da Alemanha, a polícia informou ter feito cerca de 200 prisões relacionadas a brigas durante os protestos. Mais de mil policiais foram mobilizados em antecipação a grandes manifestações. Várias dezenas de contramanifestantes também realizaram atos em Berlim, denunciando teorias da conspiração e apoiando os direitos de migrantes.

Em Hamburgo, teóricos da conspiração entraram em confronto com manifestantes antiquarentena. Em Halle, no leste alemão, a imprensa informou que uma equipe de reportagem da emissora ZDF foi atacada verbalmente por participantes do protesto.

Com a redução das taxas de contágio, a Alemanha e outros países começaram a afrouxar gradualmente algumas medidas de contenção que restringiram o movimento da população, fecharam escolas e comércio e cancelaram eventos. A Bundesliga, primeira divisão do futebol alemão, retomou as partidas neste sábado, após mais de dois meses de paralisação, mas sem público.

Também foram registrados protestos na Polônia, onde dezenas de pessoas, incluindo um senador, foram detidas durante um ato realizado por empresários na capital, Varsóvia. A polícia chegou a usar gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes. A prefeitura informou que o protesto foi ilegal porque não foi previamente autorizado.

Jacek Bury, senador do partido de oposição Plataforma Cívica, disse que foi ferido por policiais ao tentar defender outro manifestante. A polícia de Varsóvia negou ter usado força contra o parlamentar, e disse que registrou casos de “agressão contra agentes policiais”.

No Reino Unido, manifestantes antiquarentena e antivacina se reuniram no Hyde Park, no centro de Londres, acompanhados de forte presença policial. Os participantes também erguiam cartazes feitos à mão e entoavam pedidos de “liberdade”.

Alguns se sentaram na grama e fizeram piqueniques respeitando as recomendações de distanciamento físico, enquanto outros ignoraram as regras e se reuniram em grupos. Policiais tentaram dispersar esses grupos, ameaçando-os com multas caso não cooperassem.

A Polícia Metropolitana de Londres disse que 19 pessoas foram presas por violar as normas de distanciamento social durante os protestos.

Este é o primeiro fim de semana desde que o governo britânico relaxou as regras de quarentena para a Inglaterra, permitindo que as pessoas passem mais tempo ao ar livre. Agora, as atividades permitidas aos ingleses incluem piqueniques e reuniões com mais uma pessoa que more em outra residência, desde que o distanciamento social seja respeitado.

O Reino Unido é o país europeu com mais mortes em decorrência da covid-19, somando mais de 34 mil vítimas. Em todo o mundo, só perde para os Estados Unidos, com 88 mil mortos. O país registra ainda mais de 241 mil casos da doença, ficando atrás apenas dos EUA e da Rússia.

A Alemanha, por sua vez, tem mais de 175 mil infectados e 7.938 mortes, e recentemente informou que as medidas de isolamento e de contenção permitiram que a epidemia estivesse sob controle no país. Já a Polônia reporta 18 mil casos confirmados e 915 óbitos.

Fonte: DW