UK: manifestantes vão às ruas

Garrafas foram atiradas em policiais durante confrontos com manifestantes em Londres, onde milhares de pessoas se reuniram neste sábado apesar da recomendação para evitarem protestos.

Grupos se aglutinaram no centro da capital britânica para proteger estátuas visadas por manifestantes antirracismo, que têm sido alvo de depredações nas últimas semanas.

Alguns protestos contra o racismo também aconteceram em partes do Reino Unido, inclusive Londres.

A polícia da capital impôs restrições aos grupos que pretendiam se manifestar após incidentes violentos na semana passada.

Organizadores do movimento Black Lives Matter (vidas negras importam) pediram a apoiadores que não comparecessem a manifestações contra o racismo planejadas para o fim de semana por temerem confrontos com grupos de extrema-direita. Uma manifestação inicialmente agendada para este sábado em Londres foi adiada para o domingo.

No entanto, outros manifestantes se juntaram em volta do memorial de guerra Cenotaph em Whitehall e da estátua do ex-premiê britânico Wintson Churchill na Parliament Square neste sábado.

Vários grupos de diferentes partes do país, incluindo ativistas de direita, disseram ter ido a Londres para proteger símbolos da história britânica.

Estátuas de figuras históricas polêmicas vêm sendo alvo de protestos ao redor do mundo, na esteira das manifestações antirracistas decorrentes do assassinato do americano George Floyd.

Floyd, um homem negro de 46 anos, foi morto por um policial branco que por quase nove minutos se manteve ajoelhado em seu pescoço, mantendo-o preso no chão enquanto ele suplicava: “não consigo respirar”.

No último domingo, manifestantes antirracismo em Bristol derrubaram e jogaram no rio uma estátua de Edward Colston, um filantropo que acumulou fortuna como mercador de africanos escravizados no século 18.

Já uma estátua de Winston Churchill na Praça do Parlamento, em Londres, foi desfigurada por manifestantes antirracismo. Churchill é elogiado por levar a Grã-Bretanha à vitória na Segunda Guerra Mundial, mas para alguns ele continua sendo uma figura controversa, em parte por causa de seus pontos de vista sobre raça.

Entre os manifestantes presentes em Londres neste sábado estava o líder do grupo de extrema direita Britain First, Paul Golding – condenado no mês passado por uma violação da legislação antiterrorismo. Ele disse que compareceu ao ato para “vigiar nossos monumentos”.

A estátua de Churchill foi cercada pelo grupo. Manifestantes cantavam o hino nacional e “Inglaterra” em meio a uma atmosfera tensa e cheia de policiais.

Um grupo grande do lado de fora de Downing Street – sede da residência e do escritório do primeiro-ministro britânico – atirou objetos contra a polícia.

A secretária para Assuntos Internos, Priti Patel, descreveu no Twitter os atos como “bandidagem inaceitável”.

“Quaisquer causadores de violência ou vandalismo devem esperar toda a força da lei”, ela escreveu.

“A violência contra nossos policiais não será tolerada”.

Ela acrescentou que o coronavírus “continua uma ameaça a nós todos”, estimulando as pessoas a ir para casa.

A polícia de Londres diz ter aplicado até a madrugada de domingo um dispositivo que dá aos agentes poderes especiais para deter e revistar indivíduos.

As medidas também exigem o fim das manifestações às 17h locais de sábado (13h de Brasília).

O órgão diz ter tomado essas decisões após apurar que algumas pessoas estavam indo a Londres para causar danos e que provavelmente elas portavam armas.

Dominic Casciani, correspondente da BBC para assuntos domésticos, diz que no início da tarde uma mulher negra com uma máscara foi abordada por policiais quando entrava na Parliament Square.

Os agentes e a mulher foram rodeados por um grupo exaltado. Quando os policiais pediram que ela descesse de um pedestal, um dos manifestantes parece ter tentado estapeá-la.

Parte da multidão se agitou quando outros policiais a cavalo chegaram para amparar os colegas. Manifestantes atiraram garrafas e latas nos agentes, que dispararam bombas de fumaça. Um policial caiu no chão enquanto tirava a mulher do local.

Nick Lowles, diretor executivo do grupo Hope Not Hate, disse que há uma ameaça “muito séria” de distúrbios por parte de ativistas de extrema direita e elogiou o Black Lives Matter por adiar seu protesto de sábado.

“Tem muita gente genuinamente preocupada com a proteção de suas estátuas e monumentos, mas muitas pessoas estão vindo para brigar e estão falando disso abertamente nas mídias sociais”, ele disse.

O prefeito de Londres, Sadiq Khan, pediu às pessoas que evitem o centro de Londres no sábado, citando riscos de violência e desordem por parte de grupos de extrema-direita.

Os incidentes deste fim de semana ocorrem uma semana após grandes distúrbios na cidade. quando 27 policiais se feriram e houve dezenas de prisões. A maioria dos manifestantes se portou pacificamente, no entanto.

Fonte: BBC