Agosto Branco: câncer de pulmão é o que mais mata no mundo

Doença tem alta letalidade e apenas 20% dos casos são diagnosticados precocemente. O aumento do consumo de tabaco tem aumentado a incidência entre mulheres, que antes eram minoria

 

Em todo o mundo são mais de 2 milhões de novos casos de câncer de pulmão por ano e a doença é o tipo de tumor mais letal, que registra 1,76 milhão de mortes no mundo a cada ano. Normalmente o diagnóstico é tardio e acontece quando os casos estão avançados, já que os sintomas iniciais da doença não são muito claros. O Agosto Branco é o mês de conscientização sobre a doença e o Instituto Lado a Lado pela Vida criou a campanha #RespireAgosto para chamar a atenção para a prevenção.

Médica oncologista Danielle Laperche

“Progressivamente estamos tendo aumento dos casos entre mulheres por causa do aumento do consumo de tabaco. Isso é um dos fatores de preocupação dessa mudança da estatística”, afirma a oncologista Danielle Laperche. No Brasil, esse é segundo tipo de câncer mais incidente em homens e o quarto que mais acomete mulheres e são registrados 28 mil novos casos a cada ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Segundo a médica, a doença é extremamente ligada ao consumo de tabaco e, apesar de existirem casos de câncer de pulmão em pessoas que não fumam elas respondem pela menor parte dos casos. Os tabagistas têm de 20 a 30 vezes mais chances de desenvolver o tumor e, a cada ano, mais de 150 mil pessoas morrem em decorrência do consumo do cigarro no Brasil. No mundo, são 6 milhões de vítimas do que a Organização Mundial de Saúde (OMS) chama de “principal causa de morte evitável no planeta”.

“A maioria dos diagnósticos são feitos em doenças avançadas localmente, com dificuldade de ressecção, ou metastática quando já acomete outros órgãos. Por ser uma doença mais agressiva e de progressão mais rápida, lidamos muito mais com casos avançados do que com casos iniciais. O tratamento é multimodal e hoje, mais do que nunca, discutimos questões moleculares de cada caso e a cada dia estamos tendo novas terapias direcionadas para cada subtipo de câncer. Não temos mais o tratamento fechado em quimioterapia, mas usamos terapia alvo e imunoterapia, o que tem melhorado muito os resultados dos tratamentos”, pontua a médica.