Supremo Tribunal espanhol abre nova investigação contra rei Juan Carlos

A Procuradoria do Supremo Tribunal espanhol assumiu mais uma investigação sobre um caso de corrupção que envolve o rei emérito Juan Carlos, que se junta a outra aberta sobre uma conta mantida na Suíça pelo antecessor e pai de Felipe VI, e a uma sobre uma obra em Meca, na Arábia Saudita.

A informação do novo procedimento foi publicada nesta terça-feira no site “Eldiario.es”, que revelou que além do monarca, a rainha Sofia, mulher de Juan Carlos, e diversos familiares, são suspeitos de usar cartões de crédito que eram pagos no exterior, numa conta que nenhum deles é titular, entre 2016 e 2018.

O rei Juan Carlos abdicou do trono em 2014 em favor de Felipe VI. Desde então, foi perdida a inviolabilidade que era reconhecida pela Constituição de Espanha ao chefe de Estado.

Fontes da Procuradoria informaram que os novos procedimentos estão sob segredo de justiça, evitando assim confirmar ou negar as informações publicadas esta terça-feira. Algumas fontes do próprio órgão indicaram que a notícia, no entanto, “não é exata”.

A Procuradoria Geral do Estado divulgou esta terça-feira um curto comunicado a informar que as diligências abertas pela Procuradoria Anticorrupção juntam-se às realizadas pela Procuradoria do Supremo Tribunal sobre a conta na Suíça mantida por Juan Carlos I, além da suposta comissão cobrada para a implantação do comboio de alta velocidade em Meca, obra concedida em 2011 a empresas espanholas.

A justiça espanhola investiga operações em solo suíço de uma fundação ligada ao rei, que supostamente manteve ali uma conta em que terá recebido uma doação do então rei da Arábia Saudita de cerca de 100 milhões de dólares. Deste montante, cerca de 76 milhões foram transferidos para uma antiga amiga do monarca, Corinna Larsen.

No último dia 29, o Ministério Público comunicou a abertura de uma investigação interna para esclarecer a fuga de informação sobre dados sigilosos para um meio de comunicação, pedindo que fosse indicado quem mantinha e quem tinha acesso às informações.

Juan Carlos I anunciou em agosto deste ano que iria passar a viver fora de Espanha, em meio da queda de popularidade, devido às diversas denúncias de negócios obscuros e de possíveis delitos.