UE: pedido pelo fim da diferença salarial entre homens e mulheres

A Comissão Europeia (CE) pediu esta sexta-feira acabar com a diferença salarial entre homens e mulheres, uma reivindicação feita dias antes de 10 de novembro, jornada europeia da igualdade salarial, onde se comemora, de maneira simbólica, o momento em que as trabalhadoras deixam de receber remuneração em comparação com o salário recebido pelos homens.

“É necessário pôr fim a qualquer discriminação salarial e preconceito de género nas estruturas salariais”, disseram num comunicado conjunto a vice-presidente da CE para Valores e Transparência, Vera Jourova, e os comissários do Emprego, Nicolas Schmit, e Igualdade, Helena Dalli.

Os responsáveis comunitários recordaram que as mulheres na Europa ganham em média 86 cêntimos por cada euro ganho pelos homens, pelo que trabalham mais 51 dias para ganharem o mesmo que os seus colegas masculinos.

“Isto é o resultado de desigualdades socioeconómicas ao longo da vida, quer as mulheres estejam a entrar no mercado de trabalho ou a avançar nas suas carreiras, enquanto tentam encontrar o equilíbrio adequado entre as suas responsabilidades profissionais e familiares. Tudo isto quando para demasiadas viverem as suas vidas livres de violência continua a ser difícil”, comentaram.

Os membros do Executivo comunitário acrescentaram que a pandemia do coronavírus “agravou estas desigualdades estruturais de género e o risco de pobreza.

“As mulheres estão sobrerrepresentadas em empregos de primeira linha mal remunerados, onde prestam serviços essenciais de interesse geral. Estão também desproporcionadamente presentes no emprego irregular que não está coberto pelos sistemas de proteção social. Isto não é apenas injusto. Vai contra o que a União defende”, disseram.

Além disso, acrescentaram que, ao ritmo atual, irá demorar décadas “ou mesmo séculos” a alcançar a igualdade.

“Isto não é aceitável, temos de acelerar e reduzir a diferença salarial a zero”, asseguraram.

Segundo o gabinete de estatística comunitária, Eurostat, em 2018 a diferença salarial era de 14,1%, face ao 14,5% do ano anterior.

Os três políticos afirmaram que “nas próximas semanas” o Executivo comunitário irá propor a introdução de medidas “vinculativas” sobre a transparência salarial.

“Salários mínimos adequados podem ajudar a reduzir a diferença salarial de género, pois mais mulheres do que homens ganham o salário mínimo”, sublinharam, observando que o valor do trabalho “é o mesmo quer seja feito por uma mulher ou um homem”.

Fonte:EFE