Europa: impacto da pandemia centra-se no turismo e países do sul

O Banco Central Europeu (BCE) observa um aumento dos riscos para a estabilidade financeira da Zona Euro devido ao impacto desigual da pandemia, que afeta mais os países do sul da Europa, e dos riscos, que se concentram em alguns setores, como o turismo.

Esta é a principal conclusão do Relatório de estabilidade financeira de maio de 2021, apresentado esta quarta-feira pelo vice-presidente do BCE, o espanhol Luis de Guindos.

De momento, a qualidade dos ativos dos bancos aguentam, mas poderão piorar a sua já baixa rentabilidade e os riscos de créditos malparados.

Caso se registarem correções desordenadas em alguns segmentos dos mercados financeiros, tal poderá afetar instituições financeiras não bancárias que têm grandes exposições a empresas com dados fundamentais frágeis.

“À medida que a Zona Euro emerge da terceira vaga da pandemia, os riscos para a estabilidade financeira mantêm-se elevados e foram distribuídos de maneira mais desigual”, indicou de Guindos.

O vice-presidente do BCE advertiu que “um aumento da dívida das empresas em países com maiores setores de serviços poderá aumentar a pressão sobre os governos e bancos desses países”.

O espanhol considerou também que o apoio público às empresas deve passar gradualmente de generalista a mais direcionado para as empresas com mais probabilidades de sucesso.

De Guindos disse que as medidas políticas de apoio ajudaram a que as falências caíssem a níveis mínimos históricos durante a pandemia.

Mas se este apoio for progressivamente eliminado, as falências de empresas poderão ser consideravelmente maiores em comparação com a situação pré-pandemia, especialmente em alguns países da Zona Euro, exercendo pressão sobre os soberanos e bancos que os têm ajudado.

Os setores do turismo, entretenimento e viagens continuam duramente atingidos apesar da reabertura gradual da economia no segundo confinamento. Foram os mais atingidos no primeiro semestre de 2020 e recuperaram menos do que outros.

As divergências irão aumentar ainda mais caso a lentidão dos programas de vacinação exigirem mais confinamentos na época do verão, especialmente nos países do sul da Europa, diz o relatório.

Fonte:EFE